quinta-feira, 16 de outubro de 2008

No dia 19 (Domingo) em Nisa

JORNADA DE PROTESTO CONTRA A EXPLORAÇÃO DE URÂNIO
O MUNN - Movimento Urânio em Nisa Não, com a colaboração da CMN - Câmara Municipal de Nisa, ADN – Associação para o Desenvolvimento de Nisa, Nisa.Com – Associação Comercial do Concelho de Nisa, Terra – Associação de Desenvolvimento Rural de Nisa, Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e Comissão de Ex-trabalhadores da ENU – Empresa Nacional de Urânio, vai promover no próximo dia 19 de Outubro (Domingo), uma JORNADA DE PROTESTO contra a exploração de urânio no Concelho de Nisa.
Assim, entre as 9,30 h e as 11,30 h, no Cine Teatro de Nisa, irá decorrer uma Tribuna Cívica, com a participação da Comissão dos Ex-Trabalhadores da ENU e coordenada pelo CES – Universidade de Coimbra, onde reconhecidos juristas, prestigiados académicos e outras personalidades convidadas efectuarão o balanço e aprovarão conclusões relativamente à exploração de urânio em Portugal, a que se seguirá a Marcha da Indignação até à jazida de urânio situada entre as Freguesias urbanas da Vila de Nisa (Nossa Senhora da Graça e Espírito Santo) e a Freguesia de S. Matias.
Os objectivos de tal Jornada, além da sensibilização das populações locais e limítrofes para os riscos que a eventual exploração de urânio comportará, visam ainda prevenir o País e o Governo, por um lado para o grave impacte que daí ocorrerá, por outro para a incompreensível desconsideração humana que tal decisão pressuporá e, por último, para o facto do modelo de desenvolvimento, investimentos em curso e economia local do Concelho de Nisa e envolvente não serem compatíveis com a exploração de urânio ou quaisquer outras agressões ambientais.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Convívio da Malta das Sortes de 69




O Clube Desportivo e Recreativo de Santana, organizou no passado dia 27 de Setembro, um Encontro da Malta das Sortes de 1969 com um saboroso almoço no restaurante “O Túlio”.
Foi convidado de honra o professor da 1ª classe destes avós, senhor José Dinis Malpique Bicho e o convívio foi pretexto para recordar episódios que vão ficando esbatidos pelo tempo.
O encontro ultrapassou as expectativas, ficando agendado já o próximo encontro para o próximo ano e terá lugar no magnífico cenário das Portas do Pego.

MEMÓRIA DE SANTANA

Rancho do Arneiro em Cortejo de Oferendas (1950)
Em Vila Velha de Ródão, tal como em Nisa uns anos depois, realizaram-se na década de 50, Cortejos de Oferendas a favor da construção do Hospital.
Eram estas as iniciativas que se realizavam, de norte a sul do país, como forma de superar as carências financeiras do Estado Novo e das autarquias que sofriam de um mal crónico e endémico: a falta de verbas para resolver problemas elementares. Eram, pois, os cortejos de oferendas que garantiam uma parte considerável do financiamento para as obras de construção, ampliação e/ou remodelação de hospitais nas décadas de cinquenta e sessenta, construções e melhorias só possíveis com as dádivas das populações locais que, muitas vezes e num exemplo de verdadeira solidariedade, tiravam da boca e do pouco que tinham, os magros proventos para ajudar e contribuir numa causa que era de todos.
No caso do Arneiro, na altura pertencente à freguesia de S. Simão, a contribuição e o envolvimento directo da população no Cortejo de Oferendas a favor do Hospital de Vila Velha de Ródão é, ainda, um facto mais notável, por se tratar de ajudar uma estrutura e instituição de um concelho e região a que não pertenciam.
A explicação residia, na altura, como ainda hoje, nas relações de proximidade e afectividade existente entre as duas povoações de uma e outra margem do Tejo.
A participação do Rancho do Arneiro, dirigido por Francisco Diogo Pinto, no Cortejo de Oferendas, realizado em 10 de Setembro de 1950, a favor do Hospital de Vila Velha de Ródão teve um assinalável êxito.
Homens e mulheres, na sua maioria jovens e envergando os trajes típicos dos pescadores, a actividade económica mais importante dos designados Montes de Baixo, desfilaram pelas principais ruas da vila rodense entoando canções populares, de que deixamos aqui algumas quadras.
I
Arneiro, terra de amores
Viçoso como alecrim
Aldeia de pescadores
Cheia de flores
Tu és assim
II
O teu sorriso de glória
Realça a tua nobreza
Embora bem pequenino
Deu-te o destino
Tanta beleza

Coro
Ó minha aldeia
De pobreza revestida
Embora feia
Para mim é s a mais querida
A tua graça
No mundo não tem rival
Onde quer que a marcha passa
Mostra que esta raça
É de Portugal!

III
Lá vão na marcha contentes
Rapazes e raparigas
Mostram-se audazes, valentes
Ei-los sorridentes
Não mostram fadigas
IV
Todos cantam, todos bailam
Num conjunto verdadeiro
Cantam p´ra todo o cortejo
Viva o Alentejo
Viva o nosso Arneiro!

A finalizar a sua participação no Cortejo de Oferendas, o Rancho do Arneiro não escondia o fim que ali os levara e, em jeito de despedida, cantaram:
Trazemos pão
Azeite louro
E a nossa fé
Que é o maior tesouro

Fé no futuro
De Portugal
E fé no carinho
Do nosso Hospital

Vivam senhores
Por largos dias
Deus nos proteja
E dê muitas alegrias

Quem faz o bem
Empresta a Deus
Senhoras e senhores
Dizemos-lhes adeus.
in "Jornal de Nisa" nº 264

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

terça-feira, 23 de setembro de 2008

sábado, 6 de setembro de 2008

Festas de Santa Ana







ALDEIAS DE PARDO, DUQUE E ARNEIRO






Quatro dias de festa em honra de Santa Ana
A freguesia de Santana esteve em festa durante quatro dias. Foram os festejos populares em honra da padroeira Santa Ana que trouxeram até às aldeias dos denominados Montes de Baixo (Pardo, Duque e Arneiro) algumas centenas de pessoas, muitas delas filhos destas povoações, que se deslocaram desde a “Grande Lisboa”, Entroncamento, Vila Velha de Ródão e até do estrangeiro, aproveitando a visita à terra natal para o convívio familiar e o revisitar de amigos e lugares de infância.
Durante quatro dias, a festa esteve animada, com muita participação popular, por força do excelente programa que a Comissão Organizadora fez questão de proporcionar a toda a população e visitantes.
Neste particular, as festas de Santana são diferentes, quer pela matriz hospitaleira do seu povo, que prima em bem receber e fazer com que o visitante se sinta como que em casa, integrando-se facilmente no ambiente festivo e popular que o rodeia.
Música a rodos, bailes, exibição de rancho folclórico e banda filarmónica, um programa recheado de atractivos a que o público correspondeu, ainda que, por parte da Comissão de Festas houvesse alguma preocupação quanto aos objectivos a atingir.
É que as noites frescas, especialmente a de sábado, com anúncio de chuva, não convidam muito ao consumo de bebida. Disso se recente o movimento e as receitas do bar, a principal fonte de financiamento das festas, para além do facto de as bolsas das pessoas não estarem também muito abonadas.
Um programa de animação com um mínimo de dignidade, obriga a alguma esforço financeiro e a Comissão Organizadora procurou que as festas em honra de Santa Ana tivessem o brilho merecido.
Um brilho resplandecente de fé e devoção que percorreu a multidão de fiéis que encheram a Igreja Matriz para a missa solene e que se incorporam depois na procissão, acompanhada pela banda da Sociedade Musical Euterpe de Portalegre.
Pela ruas da Igreja, Velado, Francisco Diogo Pinto e de Santana, se processou o desfile solene, nele sobressaindo as imagens da Senhora da Boa Viagem, transportada aos ombros por antigos e actuais pescadores, e a de Santa Ana.
Momento de particular emoção foi a passagem do cortejo religioso pela rua de Santana, onde se deteve para permitir que os velhinhos do lar do Centro Social pudessem também, ainda que por breves instantes, ver a imagem da sua padroeira e participar no espírito sagrado da festa.
Findas as cerimónias religiosas e no recinto das festas, actuou seguidamente o Rancho Folclórico do Grupo Cultural da Boavista (Portalegre) um dos mais conceituados do Alto Alentejo.
As danças, os trajes, o repertório de cantares tradicionais, onde não faltam as populares “saias” deliciaram as centenas de pessoas que assistiram ao espectáculo. Terra de pescadores e ferroviários, operários fabris e de trabalhadores da charneca, o povo de Santana gosta de cantar e dançar, mantendo uma predilecção pelo folclore e pelos grupos que preservam os valores etnográficos.
O grupo Toca e Foge mantiveram-se firmes até que houve gente para um pézinho de dança, isto ainda no Domingo. No último dia da festa, a música continuou a fazer-se ouvir através do acordeonista Tiago Afonso.
Durante a tarde, lugar ao desporto com a realização de um torneio da sueca e o sempre aguardado jogo de futebol entre solteiros e casados.
Mário Mendes in "Jornal de Nisa"